domingo, 27 de julho de 2014

descorberto resto de 50 múmias egípcias num tumulo da vele dos reis






Vestígios arqueológicos encontrados no túmulo KV 40
Matjaz Kacicnik/Universidade da Basileia
 
   
No tempo dos romanos, no início da nossa era, o Vale dos Reis já era um sítio antigo, visitável, um centro turístico já na época. Na margem ocidental do Nilo, a cerca de 700 quilómetros a sul do Cairo, podem encontrar-se hoje 63 túmulos associados ao poder real do Império Novo, um período na história do Antigo Egipto que durou entre 1550 a.C. e 1070 a.C. Agora, uma equipa da Universidade da Basileia, na Suíça, escavou um dos túmulos e descobriu os restos de 50 múmias egípcias, incluindo múmias de crianças.
O Vale dos Reis era uma necrópole real que estava junto da antiga cidade de Tebas, capital do Antigo Egipto durante parte do Império Novo, que inclui as dinastias XVIII, XIX e XX dos reinados egípcios. Foi a meio deste período que viveu o faraó Ramsés II, terceiro faraó da XIX dinastia, numa altura em que o império vivia o seu último apogeu. Naquele vale, iam sendo construídos túmulos onde os faraós, as suas mulheres e filhos iam sendo sepultados. Mas também há muitos túmulos de outras famílias da nobreza egípcia.
Os túmulos, construídos em profundidade, têm vários tamanhos. O mais impressionante é o KV 5, erigido em grande parte por Ramsés II para sepultar os seus filhos. A sepultura, que tem mais de 120 corredores e câmaras, começou a ser escavada por arqueólogos sistematicamente na década de 1990 mas ainda hoje não se encontraram os seus limites.
O túmulo escavado agora pela equipa de Susanne Bickel, o KV 40, é bastante mais pequena, tem apenas cinco câmaras subterrâneas. Para chegarem às câmaras, os egiptólogos tiveram de escavar um poço de seis metros que dava acesso a estas salas.
Os especialistas pensavam que o KV 40 não era um túmulo da realeza, construído na XVIII dinastia. “Cerca de dois terços dos túmulos do Vale dos Reis não pertencem à realeza”, explica Susanne Bickel, no comunicado da Universidade da Basileia desta semana. “As sepulturas não têm inscrições e têm sido muito saqueadas, por isso só podemos especular sobre o que foi sepultado nelas”, acrescenta a egiptóloga.
Mas, afinal, havia muito sangue real naquele espaço. Dentro do KV 40, os investigadores encontraram na câmara central e em três câmaras laterais os restos de 50 múmias, adianta o comunicado. A partir das inscrições encontradas em vasos canópicos – onde eram guardadas as vísceras das pessoas mumificadas – a equipa foi capaz de identificar o nome de 30 pessoas.
Entre as múmias estavam príncipes e princesas das famílias de dois faraós da XVIII dinastia, Tutmés IV e Amenófis III, que reinaram no século XIV a.C. Destes, oito princesas e quatro príncipes não eram conhecidos até agora pelos historiadores.
Mini-múmias
Além disso, foram encontradas várias múmias de recém-nascidos e crianças. “Descobrimos um número notável de recém-nascidos e crianças cuidadosamente mumificados, que normalmente teriam sido enterrados de uma forma muito mais simples”, diz Susanne Bickel.
“Pensamos que estes membros familiares da corte real foram sendo enterrados neste túmulo durante um período de várias décadas.” Segundo os investigadores, esta lista de pessoas identificadas na sepultura permite saber quem é que tinha o privilégio de passar a vida eterna, depois da morte, junto do faraó.
Espera-se agora que uma análise mais aprofundada dos achados arqueológicos revele a composição da corte faraónica durante a XVIII dinastia, assim como as condições de vida e as tradições do enterro na época, adianta o comunicado.
Mas a arqueologia de qualquer um destes túmulos ultrapassa sempre o momento da sua construção e da primeira utilização. Séculos de história são séculos de saque, reutilização e outros tipos de uso, que reflectem o comportamento das sociedades que sucederam a esta antiga civilização. Nas paredes de muitos túmulos do Vale dos Reis existem mais de 2000 mensagens, assinaturas e desenhos, uma espécie de graffiti, que são testemunhos dos muitos turistas que visitaram aquele local sagrado entre o século III a.C. e o século VI d.C.
Nas fotografias do agora escavado KV 40 nota-se a ferrugem negra de um incêndio que o túmulo sofreu. “Os restos [arqueológicos] e as paredes foram afectados por um incêndio que terá sido iniciado, muito provavelmente, pelas tochas de salteadores de túmulos”, sugere Susanne Bickel. Desde a antiguidade até ao século XIX, o túmulo terá sido saqueado diversas vezes.
Além disso, já muito tempo depois de o Vale dos Reis ter deixado de ser uma necrópole real, restos de caixões feitos de madeira e de material composto por fibras vegetais ou papiros encontrados no lugar indicam que houve uma utilização posterior da sepultura para enterrar outros mortos: no século IX a.C. as famílias de sacerdotes terão usado aquele túmulo como cemitério

      vale dos reis e das rainhas

O Vale dos Reis é o lugar de descanso dos principais Faraós do Novo Império. Ele fica localizado em um grande vale cheio de montanhas no Egito, na margem ocidental do Nilo, próximo de Luxor (antiga Tebas). O vale tem dois lados: o lado ocidental (oeste) e o oriental (leste), sendo que as tumbas mais famosas estão no lado leste. Nessas tumbas encontram-se os mais belos trabalhos da mitologia egípcia.
A maioria das tumbas foi violada por ladrões durante muito tempo, porém a KV62, tumba de Tutankhamon, foi encontrada por Howard Carter e continha o mais belo tesouro arqueológico já visto no mundo. Dessa descoberta surgiram muitas teorias e ideias malucas (como a da maldição do Faraó), que de certa forma contribuíram para o interesse e a popularização do antigo Egito.


Vale dos Reis – Foto da tumba KV62 (Tumba de Tutankhamon)

O Vale dos Reis atualmente é um dos pontos turísticos mais visitados do Egito. Algumas tumbas estão fechadas, visando à preservação, já que a quantidade de turistas que as tumbas recebiam diariamente estava provocando a deterioração delas. Há também explorações no local, e recentemente (2006) foi anunciada a descoberta de uma nova tumba: a KV63. As principais decorações das tumbas envolvem o livro dos mortos, o livro dos portões, o livro das cavernas e o amduat.


Tumbas do Vale dos Reis:


KV1 – Tumba de Ramsés VII.
KV2 – Tumba de Ramsés IV.
KV3 – Tumba de um filho de Ramsés III.
KV4 – Tumba de Ramsés XI.
KV5 – Tumba dos filhos de Ramsés II.
KV6 – Tumba de Ramsés IX.
KV7 – Tumba de Ramsés II.
KV8 – Tumba de Merenptah.
KV9 – Tumba de Ramsés V e Ramsés VI.
KV10 – Tumba de Amenmeses.
KV11 – Tumba de Ramsés III.
KV12 – Tumba de dono desconhecido.
KV13 – Tumba de Bay.
KV14 – Tumba de Tausert e Setnakht.
KV15 – Tumba de Seti II.
KV16 – Tumba de Ramsés I.
KV17 – Tumba de Seti I.
KV18 – Tumba de Ramsés X.
KV19 – Tumba de Mentuherkhepeshef.
KV20 – Tumba de Hatchepsut e Tutmés I.
KV21 – Tumba de dono desconhecido.
WV22 – Tumba de Amenhotep III. (Parte ocidental – OESTE)
WV23 – Tumba de Ay. (Parte ocidental – OESTE)
WV24 – Tumba de dono desconhecido. (Parte ocidental – OESTE)
WV25 – Tumba de dono desconhecido. (Parte ocidental – OESTE)
KV26 - Tumba de dono desconhecido.
KV27 - Tumba de dono desconhecido.
KV28 - Tumba de dono desconhecido.
KV29 – Tumba de dono desconhecido.
KV30 – Tumba de dono desconhecido.
KV31 – Tumba de dono desconhecido.
KV32 – Tumba de Tia’a, esposa de Amen-hotep II.
KV33 – Tumba de dono desconhecido.
KV34 – Tumba de Tutmés III.
KV35 – Tumba de Amen-hotep II.
KV36 – Tumba de Maiherperi.
KV37 – Tumba de dono desconhecido.
KV38 – Tumba de Tutmés I.
KV39 – Possível tumba de Amen-hotep I.
KV40 – Tumba de dono desconhecido.
KV41 – Tumba de dono desconhecido.
KV42 – Tumba de Hatshepsut-Meryt-Ra.
KV43 – Tumba de Tutmés IV.
KV44 – Tumba de dono desconhecido.
KV45 – Tumba do nobre Userhet.
KV46 – Tumba de Yuya e Thuyu.
KV47 – Tumba de Siptah.
KV48 – Tumba de Amenemipet.
KV49 – Tumba de dono desconhecido.
KV50 – Tumba de dono desconhecido.
KV51 - Tumba de dono desconhecido.
KV52 – Tumba de dono desconhecido.
KV53 – Tumba de dono desconhecido.
KV54 – Talvez a câmara de embalsamento de Tutankhamon.
KV55 – Talvez de Tiye ou Akhenaton.
KV56 – Tumba de dono desconhecido.
KV57 – Tumba de Horemheb.
KV58 – Tumba de dono desconhecido.
KV59 – Tumba de dono desconhecido.
KV60 – Tumba de Sit-Ré.
KV61 – Tumba de dono desconhecido.
KV62 – Tumba de Tutankhamon. (encontrada por Howard Carter)
KV64 – Tumba de Nehmes Bastet (Filha do sacerdote de Amum) – Encontrada em 2011 por pesquisadores da Universidade da Basileia.


O Vale das Rainhas

O Vale das Rainhas é o lugar de descanso eterno das principais rainhas do Novo Império, principalmente da XIX e da XX dinastias. Fica localizado na margem ocidental do Nilo, próximo a Luxor (antiga Tebas). Assim como no Vale dos Reis, cada tumba do Vale das Rainhas é identificada com as iniciais em inglês do vale (QV – Queen’s Valley). Uma das tumbas mais importantes e decoradas é a da rainha Nefertari, uma das esposas de Ramsés II, tumba essa que precisou passar por uma restauração para evitar as ações do tempo.


Foto do Vale das Rainhas

A maioria das tumbas é formada por uma antecâmara, um corredor e uma câmara funerária. Algumas tumbas ainda possuem pequenas salas laterais que eram usadas para guardar parte dos móveis. São também encontradas nas paredes e no teto o livro dos mortos e o livro dos portões.
 Principais Tumbas do Vale das Rainhas:

QV8 – Hori
QV17 – Meryt-re e Urmerutes (princesas).
QV30 – Nebry.
QV33 – Rainha Tenedjmet.
QV38 – Sit-re, esposa de Ramsés I.
QV42 – Paraherunemef, filho de Ramsés III.
QV43 – Setherkhopshef, filho de Ramsés III.
QV44 – Khaemwaset, filho de Ramsés III.
QV46 – Imhotep, vizir de Tutmés I.
QV47 – Princesa Ahmose, filha de Tao II.
QV51 – Rainha Isistahemdjeret, esposa de Ramesses III.
QV52 – Rainha Titi, esposa de Ramesses III.
QV53 – Ramsesses-Meriamon, filho de Ramsés II.
QV55 – Amonherkhopshef, filho de Ramsés III.
QV60 – Rainha Nebettauy, filha de Ramsés II.
QV66 – Rainha Nefertari, esposa de Ramsés II.
QV68 – Rainha Meritamon, filha de Ramsés II e Nefertari.
QV71 – Rainha Bint-Anath, filha e esposa de Ramsés II.
QV72 – Princesa Neferhat e Príncipe Baki.
QV73 – Rainha Henut-tawy.
QV74 – Tentopet, filha e esposa de Ramsés II.
QV75 – Henutmire, filha e esposa de Ramsés II.
QV76 – Princesa Meryt-re.
QV80 – Rainha Tuy, esposa de Seti I e mãe de Ramsés II.
QV82 – Príncipe Minemhat e Amenhotep.
QV88 – Príncipe Ahmose.

Tumba intacta do tempo de Tutancâmon é encontrada

09 de fevereiro de 2006 11h35 atualizado às 19h02

Tumba da época do  faraó foi descoberta no Vale dos Reis, no Egito. Foto: AP Tumba da época do faraó foi descoberta no Vale dos Reis, no Egito
Uma equipe de cientistas norte-americanos afirmou ter encontrado no Vale dos Reis, no Egito, o que parece ser uma tumba intacta, a primeira desde o descobrimento da tumba do faraó Tutancâmon em 1922, disse hoje uma integrante da equipe de arqueólogos. A tumba contém cinco ou seis múmias em sarcófagos da 18ª dinastia, da época de Tutancâmon. Mas os pesquisadores ainda não tiveram tempo para chegar às múmias e identificá-las, afirmou a arqueóloga.
  • Veja fotos da tumba descoberta A 18ª dinastia governou o Egito de 1567 a.C. até 1320 a.C, um período durante o qual o poder o país chegou a seu ápice. O Vale dos Reis, localizado no sul do território egípcio, contém as tumbas da maior parte dos faraós dessa época, mas os cientistas disseram que as múmias da tumba descoberta recentemente talvez não sejam de figuras da realeza. "Há no vale muitas tumbas de indivíduos de fora da realeza. Essa não seria a primeira", disse a arqueóloga, que pediu para sua identidade não ser revelada porque as autoridades egípcias planejam realizar um grande evento na sexta-feira a fim de divulgar a descoberta. "Os arqueólogos ainda não entraram dentro dela. Ela é bastante pequena e apertada, mas é do final da 18a dinastia," acrescentou. Em um comunicado, o Conselho Supremo para Antiguidades, órgão do governo egípcio, disse que a tumba tinha sido encontrada por uma equipe da Universidade de Michigan (EUA). Os cinco sarcófagos, moldados segundo a silhueta do corpo humano, possuem máscaras funerárias coloridas. E a tumba contém várias jarras de armazenamento grandes, disse o comunicado. "Por um motivo desconhecido, eles foram enterrados rapidamente na pequena tumba", acrescentou. A construção, localizada a 5 quilômetros da tumba de Tutancâmon, estava coberta pelos restos de cabanas de trabalhadores em atividade durante o final da 19ª dinastia, mais de 100 anos depois de a tumba ter sido fechada, disse o texto.